Sesc forma agentes culturais para o Sertão Central

Um dos muitos legados que a Mostra Sesc de Culturas do Sertão Central vai deixar, já na sua primeira edição, é a formação de agentes culturais. Após a passagem do circuito artístico, de 25 a 28 de julho, em Quixadá, Quixeramobim, Senador Pompeu e Ibaretama com 65 ações gratuitas (shows, espetáculos, exposições, cortejos de tradição, entre outras), o Sesc continuará presente na região capacitando a primeira turma, ao longo de quatro meses, e dando continuidade ao seu projeto de apoiar artistas locais.

Com 20 alunos, o curso será iniciado dia 27 de julho, em um workshop na Unidade do Senac em Quixadá. Sesc e Senac, duas instituições do Sistema Fecomércio Ceará, vão atuar em parceria no curso. Durante a Mostra, a escola de educação profissional contribui com oficinas de maquiagem artística, de caracterização e de figurino. Nos meses seguintes, o Sesc vai ensinar sobre História da Arte, potencial econômico  da cultura, elaboração de projetos, planejamento de marketing, gestão de orçamento e participação em editais de incentivo, como o credenciamento anual de artistas, que a instituição realiza todos os anos.

O papel de um agente cultural é de apoiar as propostas artísticas com a captação de financiamentos e parcerias, divulgação dos espetáculos e planejamento de novos trabalhos. No Sertão Central, o Sesc encontrou diversas pessoas que já fazem este papel. Mesmo sem a formação específica, estes produtores têm criado formas de realizar seus projetos.

“Percebemos uma demanda reprimida de artistas da região por falta de conhecimento de como elaborar uma proposta artística, como compreender as políticas culturais estabelecidas por meio de editais. O curso vai ser essa oportunidade dos artistas do interior conhecerem e para que possam aproveitar esses editais”, explica o gerente de Cultura do Sesc Chagas Sales.

Raimundo Hotemberg Alves de Queiroz, de 31 anos, é ator e monitor de artes em escolas públicas de Quixadá. A experiência de realizador cultural ele já tem, atuando no grupo de teatro Formação de Cena e buscando patrocínios de forma independente. No curso de agentes culturais, ele deseja aprender com a equipe do Sesc, como inscrever os espetáculos em editais, festivais, para que possam ter mais suporte.“É o que a gente mais peca, mais tem dificuldade, porque não temos apoio na formação para captação de recursos”, afirma ele.

Não só o seu grupo, mas vários outros artistas no Sertão Central atualmente precisam dessa orientação, diz ele. “A região tem muitos músicos, tem o pessoal da dança e do teatro, tem um cenário muito grande de artistas, só não tem a formação. A gente vai compartilhar o que aprender, vamos nos reunir, formar coletivos para ver quais as necessidades. É hora de transformar, porque inovar nós já inovamos muito.”

Revisitar Raquel de Queiroz

Há cinco meses, um projeto de Hotemberg e outro cinco artistas de Quixadá tem reunido cada vez mais público. São as visitas guiadas à Fazenda Não Me Deixes, propriedade da escritora Raquel de Queiroz, localizada a 30 km de Quixadá e onde ela costumava visitar nos períodos de inverno. 

Não somente uma visita, mas uma imersão com música, teatro, gastronomia e declamação, revivendo cada espaço de memória da escritora. A primeira parada é no Memorial Raquel de Queiroz, no centro de Quixadá, onde podem ser vistos objetos e fotos. Em seguida o grupo, com cerca de 50 visitantes, chega à Fazenda onde os atores, músicos e mediadores os guiam no passeio pelo Bosque da Imaginação, a Trilha no Açude, a Música no Alpendre e o Café Literário, com receitas favoritas de Raquel e publicadas no livro “O Não Me Deixes. Suas Histórias e Sua Cozinha”.

A ideia inicial era mostrar só espaços aos próprios moradores de Quixadá, mas os participantes têm vindo de outras cidades. Eles já receberam público de eventos, estudantes de Turismo e, durante a Mostra Sesc de Culturas do Sertão Central, vão realizar a quinta edição, no dia 28 de julho, às 8h, com a Caravana Literária, uma das ações formativas do encontro. “Deu muito certo, queremos expandir, levar escolas para deixar viva a história e a memória de Raquel”, afirma Hotomberg.

 

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