A Quixeramobim preciosa de Antônio Rabelo

Com suas joias de design inspirado, o artesão conquistou o mercado nacional. No dia 28/07 ele participa de um bate papo com outros convidados na Mostra Sesc de Culturas Sertão Central

Pedras de vários tipos e cores, trabalhadas até revelarem seu brilho, e sustentadas por materiais tão díspares quanto metal, palha, couro e renda. A equação resulta em peças desafiadoras ao olhar. A beleza, claro, reconhece-se imediatamente. Mas há em cada joia da Ceará Designer algo que exige demorada contemplação. Do geométrico ao orgânico, entre paletas bem construídas e cortes precisos, as criações revelam um design único, banhado em referências do sertão – mas um sertão conectado, contemporâneo. Local e global ao mesmo tempo.

É esse o trabalho desenvolvido por Francisco Antônio Rabelo, fundador da Ceará Designer Joias Artesanais e hoje referência no mercado nacional – a empresa vende não apenas no Ceará, mas para várias capitais do Brasil, como Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Em breve, a ideia é retomar o comércio internacional.

“Demos uma pausa na exportação porque não estávamos dando conta da demanda. Nossa fábrica passou por uma reestruturação, reformamos muita coisa, fizemos adequações no processo de produção e focamos no mercado nacional, direto para o cliente final. Isso foi muito bom, demos um salto e agora que o novo prédio da fábrica já está construído pretendemos retomar as vendas internacionais”, explica Rabelo.

Para dividir esses saberes e experiências acumulados, Rabelo participa da Mostra Sesc de Culturas Sertão Central, como convidado de uma das edições do Papo Criativo, no dia 28/07, ao lado de dos artesãos Espedito Seleiro (Nova Olinda), da educadora Zilá Carneiro (Quixeramobim) e do xilogravurista João Pedro (Juazeiro do Norte). O encontro acontece no Memorial Antônio Conselheiro e vai girar em torno das trajetórias de cada convidado, em seus pontos em comum e particularidades.

Além de dezenas de páginas de jornais e revistas, a Ceará Designer já apareceu até em novela de TV. Na época, uma personagem apareceu usando uma das peças de sua coleção mais recente, feita com espinhos de cacto. Hoje elas seguem traduzindo a beleza do sertão cearense. São anéis, brincos, colares e braceletes que carregam ícones de nossa flora, nossa luz tão peculiar – dura, direta, intensa -, nosso clima e festas populares.

Trajetória

A história de Rabelo é tão inusitada quanto seu trabalho. Pela necessidade financeira, há cerca de 10 anos, precisou sair da cidade natal, Quixeramobim, para a Capital, onde ganhava o sustento vendendo sanduíche na rua. Até o dia em que, encontrou, por acaso, um conhecido da família, em um posto de gasolina. Conversa vai, conversa vem, Rabelo lhe mostrou uma pequena escultura que havia feito.

Impressionado, o homem foi direto: “e o que você está fazendo vendendo sanduíche?”. O elogio em forma de provocação foi suficiente para Rabelo decidir apostar alto em uma mudança. A esposa, Maria Lucia Araújo Chaves, seguiu vendendo sanduíches em Fortaleza, enquanto ele voltou a Quixeramobim para investir nas esculturas. “Ia todo fim de semana, fazia as peças e voltava a Fortaleza para vender. O ideal era fazer tudo na Capital, onde estavam os clientes, mas as ferramentas e o maquinário estavam em Quixeramobim, eram emprestados. Graças a Deus em menos de dois meses voltamos a ficar juntos, fui buscá-la e até hoje tocamos a vida e o negócio juntos”, recorda.

Nesse meio tempo, para garantir um orçamento viável, Rabelo passou a ajudar um amigo consertando máquinas de escrever. Uma semana depois, já tinham até oficina. “Ficamos um ano nesse trabalho, prestávamos serviço para prefeituras, secretarias. De manhã fechávamos a oficina para produzir as esculturas. De tarde, abríamos para consertar as máquinas e ao mesmo tempo vender as peças”, recorda.

Mudança

Até que em 2002 uma nova guinada aconteceu, quando Rabelo participou de um curso de lapidação promovido na cidade. “A proposta era ensinar a lapidar as pedras aqui e comercializá-las para designers do Sul. Mas me identifiquei tanto com aquilo que resolvi investir no processo inteiro. Enxerguei um potencial”, conta.

Assim, em 2002 Rabelo abriu a joalheria. Ao longo do tempo, ele produziu não apenas as joias, mas sua própria tecnologia de produção. “Algumas ferramentas são desenvolvidas aqui na fábrica, por isso muitas vezes nossas peças são difíceis de serem copiadas”, pontua.

Os colaboradores mais próximos são os mesmos de muito tempo: além da esposa, Lúcia, a Ceará Designer emprega os filhos e irmãos de Rabelo, bem como pessoas da comunidade. “Preferimos trabalhar com pessoas do entorno, porque podem ser treinadas na oficina e aprendem a fazer o trabalho da maneira que achamos melhor”, justifica.

Sobre sua participação na Mostra Sesc de Culturas Sertão Central, Rabelo comemora a oportunidade. “Essas oportunidades de provocar encontros são importantes. É assim que se promove cultura. Fico muito feliz de ter sido convidado, até porque Espedito Seleiro é uma referência pelo seu trabalho. É uma honra participar desse bate papo, trocar ideias com essas figuras”.

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