Mostra Sesc de Culturas traz novamente ao Ceará a banda carioca Fanfarrada

Após estar presente em 2015 no Cariri, a orquestra retorna para a primeira edição da Mostra no Sertão Central, onde faz show do seu novo disco

Na clássica formação musical da fanfarra – que inclui apenas instrumentos de sopro e percussão -, o trabalho criativo é constantemente desafiado por essa sonoridade sucinta. No caso da Fanfarrada, porém, o processo alcança um passo além. A banda carioca toma o gênero que lhe dá nome para recriá-lo, sob outras e diversas influências.

Assim, os metais e batuques da fanfarra ganham novo fôlego, ao incorporarem elementos do jazz, funk, cumbia, maracatu, eletrônica e tantas outras sonoridades, combinadas em um repertório de “tradições futuristas da America Latina, Balcãs, África, Mississipi, Caruarú e Tijuca” – nas palavras dos integrantes.

Agora, a Fanfarrada adiciona mais um local ao mapa de sua atuação exitosa pelo País. Convidado para a Mostra Sesc de Culturas do Sertão Central, o grupo integra a programação em diferentes momentos, um deles com o show do seu primeiro e novíssimo disco, “Tradições Vanguardistas”, no dia 26/07, em Quixadá.

Criada em 2009, a “orquestra de ritmos esquisitos e músicos selvagens” – como eles se definem – celebra uma década de trajetória apaixonada e profícua, construída fundamentalmente na rua, nos espaços públicos e festas populares, com centenas de apresentações pelo País. O Ceará entrou nesse roteiro em 2015, quando a Fanfarrada participou da Mostra Sesc de Culturas do Cariri. O êxito da experiência fez a organização repetir o convite em 2019.

Culminância dessa história, o disco de estreia, “Tradições Vanguardistas”, foi lançado em maio deste ano. O trabalho traz referências dos blocos carnavalescos cariocas e da pluralidade cultural da América Latina. Mistura, por exemplo, os ritmos do maculelê à cúmbia colombiana (na faixa “Câmbio! Negro”), o frevo com o merengue (“Fanfarrada Boa”), o tamborzão à improvisação jazzística (“Coração Black”).

“Carnaval, manifestações políticas, pregoeiros de feiras e espiritualidade são temáticas catalisadoras da Fanfarrada e suas Tradições Vanguardistas”, assinou a banda na época do lançamento. Nesse sentido, o formato de sua participação na Mostra não poderia ser melhor: além do show no dia 26, a Fanfarrada também estará nos eixos de Ações Formativas e Tradição.

Nessas outras duas ocasiões, o grupo vai poder experimentar mais intensamente a proposta de intercâmbio cultural que alicerça a Mostra, a partir da interação direta com bandas e artistas da cidade. No eixo de Formação, a Fanfarrada conduz uma edição do Papo Criativo, série de encontros nos quais artistas conversam, trocam informações e experiências entre si e com o público. No eixo da Tradição, a banda carioca realiza uma de suas famosas apresentações na rua, como em um cortejo – dessa vez em Quixeramobim.

“Na Mostra de 2015 estivemos em Crato e Juazeiro do Norte. Em uma das apresentações da orquestra, convidamos nosso amigo Geraldo Jr para participar, ele é cantor e natural do Crato. A partir daí mantivemos contato e, quando entramos em processo de gravação do nosso disco, chamamos ele para cantar uma das faixas. Foi muito legal”, conta Pedro Pamplona, diretor e integrante da Fanfarrada.

Para ele, a possibilidade de conhecer pessoalmente novos grupos e artistas é um dos aspectos mais interessantes da Mostra. “Vimos, por exemplo, os mestres da família Aniceto, que tocam pife. Foi incrível, porque esse tipo de manifestação é onde nasce tudo, é a raiz da música de rua. E eles também dançam, têm as coreografias, assim como nós fazemos nas apresentações em espaços abertos”, lembra.

Para esse formato de rua, aliás, a Fanfarrada tem um espetáculo específico, o Baile Ambulante de Música Esquisita. “Tocamos não apenas músicas da tradição brasileira, mas de outros países, e sempre dançando, estamos sempre desenvolvendo coreografias e cortejos, e interagindo com público diretamente”, explica. “Essa é uma característica muito presente na música de tradição no Nordeste, nos maracatus, no Carnaval. A Fanfarrada não inventou nada, a gente bebe dessa fonte”, reconhece Pedro.

Para o show do dia 26, a banda vai com formato mais compacto, de 10 músicos (no total, são 14). Sobre o repertório, será baseado no novo disco. “É um trabalho todo autoral, com músicas de vários integrantes e de amigos que colaboram com a gente”, adianta.

Já sobre o Papo Criativo, Pedro considera “a cereja do bolo. É o momento de trocar experiências, inclusive sobre como viver de música em um País que valoriza tão pouco a cultura. Quais estratégias usamos aqui no Sudeste – que já foi ‘Sul Maravilha’ e hoje está longe disso, como fazemos para manter ativa uma orquestra de mais de dez pessoas. E como os artistas fazem no Ceará. Qualquer ideia vai ser bem vinda, trocas de quaisquer natureza: de repertório, material, ensaios, formação instrumental, tudo vai ser possível, é um processo muito rico”, avalia Pedro. 

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