Arte como instrumento para quebrar barreiras

Artista plástico, pintor e performer, Shambuyi Wetu levanta em suas obras questionamentos sociais inspirados em sua trajetória como africano migrante

Deixar para trás o conhecido, onde deveria ser um porto seguro, mas que já não se reconhece mais como lugar de proteção. Foi assim, em busca de novos rumos e perspectivas, que o artista Shambuyi Wetu chegou ao Brasil em 2014, vindo da República Democrática do Congo, país rico em recursos minerais, mas também despedaçado por conflitos econômicos e políticos durante a maior parte dos últimos 20 anos.

Desembarcou carregando em sua Bagagem [termo presente em seu trabalho e na sua trajetória] uma vida cheia de experiências, conhecimento e muito potencial com uma rica identidade original, representando os caminhos que já percorreu, as pessoas com quem conviveu, a África contemporânea e o africano migrante. Encontrou no Brasil um país acolhedor para ele e tantos outros artistas estrangeiros que aqui vivem e se expressam.

Original do Kasai Oriental, província Congolesa, Wetu tem como base os fortes valores tradicionais da sua família e de seu povo, assim como uma graduação em artes plásticas pela Académie des Beaux-Arts. Artista desde criança, como gosta de destacar, ele não se tornou artista, ele sempre teve na arte um instrumento de expressão. E é esse o seu legado: ter a arte como forma de combater preconceitos e vencer estereótipos.

Em suas obras, um artista que não se limita. Pintura. Escultura. Performance. Em cada uma delas conversa com diferentes formas de fazer arte. Já participou de 13 exposições coletivas e uma individual, tem um acervo de duas séries de quadros inéditos, mais de 16 performances apresentadas no Brasil, dois filmes e esculturas espalhadas pelo mundo. Em todos os trabalhos, Shambuyi Wetu faz provocações artísticas e imprime visões não-ocidentais em uma busca incansável pela transformação da ignorância em conhecimento através da arte.

A performance Bagagem, que será apresentada nesta edição da Mostra Sesc de Culturas, leva para perto das pessoas, nas ruas do Cariri cearense, a reflexão sobre a invisibilidade e estereotipação do negro africano de forma poética. Questões como discriminação, conflitos sociais, violência e superação estão presentes na apresentação.

“O migrante é um indivíduo com suas complexidades, sua formação que pode ser ampla e altamente especializada, suas viagens, cultura e tudo mais que compõe o homem moderno dentro de suas realidades. Ser reduzido a uma condição política que precede a identidade profissional, pessoal ou qualquer outra que mereça destaque é uma condição marginalizante que precisa ser combatida no mundo ocidental e ocidentalizado”, enfatiza Wetu.

Quando o olhar se volta para a terra natal, a esperança é de ver o país estabilizado e reconstruído. No entanto, mais do que voltar para o seu país, Shambuyi Wetu, com sua arte, pretende ganhar o mundo. E o mundo precisa ganhar esse artista e toda a bagagem de vida que ele carrega dentro e fora de si.

Na programação da Mostra, Shambuyi Wetu realiza a performance Bagagem no dia 08 de novembro, às 15h, pelas ruas da cidade de Juazeiro do Norte, e no dia 09 de novembro, às 10h, no Largo da RFFSA. O artista também participa do Papo Criativo – Apresentação das Poéticas Artísticas: Diálogos Artístico, dia 09 de novembro, às 10h, na unidade Sesc de Juazeiro do Norte.

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